segunda-feira, 14 de novembro de 2016

PARIR O TEMPO


PARIR O TEMPO

Talvez no infinito medular
Em busca do profundo fundo
Onde engulo os temporais
De mergulhos líquidos
Nos verbos necessários
Das lágrimas nos ventos
Na tempestade da alma
Parir de dor no tempo
Já chupei beijos de lima
Espremida na minha boca
Senti o teu coração invisível
E a tua alma inacessível
Na oca língua no beijo dado
Afiei a lâmina aguda no abismo
Para furar o inalcançável
Tentei encontrar a vontade
De ser eterno nesta caminhada
Onde o amor tenta descansar
E a morte é um tempo grávido
Que não tem pressa de parir
Já o amor é um sentimento grávido
Que ferve a parir sentindo o desejo.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca