segunda-feira, 18 de julho de 2016

PERNOITA O VERBO


PERNOITA O VERBO

Deixa que o verbo rebente
Como tu rebentas dentro de mim
E que a língua seja espuma de terra
Onde pernoitas em mim na gramática
Memória que morres ou finges amar
Pressinto já o teu luminoso aroma
Fogo dos teus braços ao meu redor
Oiço o rumor da chuva molhando
A terra, entre a fala da palha queimada
Na noite ausente instala-se a solidão
Vagarosamente em ocultas palavras
Amor com fome sem nenhum lume
Irrompo para beber-te, despir-te
Devias estar aqui rente à minha boca
Para que os meus lábios te beijem
Na divisão desta amargura contigo
Dos dias que são partidos um a um
Verbo das noites passadas contigo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca