quarta-feira, 13 de julho de 2016

AINDA SOU

AINDA SOU

Ainda sou eu que me olho
No espelho e vejo um reflexo
Nem sei mais se é meu, mas sei
Que não serei assim para sempre
Não temo contrastes muito menos
Mudanças ou suspiros magoados
Sei que ainda, sou eu que escrevo
Escrevo o que sinto, amanhã não sei
Farei com que o amor seja pintando em mil
Segredos delicados, coloridos de amor
Hoje sou talvez poesia, canto da cotovia
Que me veio acordar, cantando docemente
Mas amanhã poderei ser apenas uma névoa
De brandas iras, que dorme contigo, no teu
Recanto de pena ausente, temerosa ousadia
No canto do teu olhar por entre vivas rosas
Ainda sou eu que rabisco tantos sentimentos
Lágrimas do meu imortal contentamento
Que deambula em segredos meus e teus
Nas vivas faíscas que me mostrou um belo dia
E de mim me esqueço, só para te amar.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca