sexta-feira, 12 de agosto de 2016

HABITO



HABITO

Habito no corredor
....Das paredes nuas
Da minha memória
....Vómito de vinho
Amargo na boca
....Sou nevoeiro
Ou uma neblina
...Ponto, sílaba, vaga
Rosa vinha-virgem
...Véu negro do alpendre
Livra-me dos perigos
....De todos os inimigos
E por todos aqueles
.....Que esperam à muito
A minha vã morte
....Descalça entre as folhas
Voo dessa eminência
.....No espelho do desejo
Em compaixão eterna
......crescente o silêncio
Nesta dor em agonia
.....Desperto no leito do rio
Desta guerra a minha
....Habito no quente fogo
Labaredas da memória
....Para me tentar salvar.

*. *...★ * ★

Isabel Morais Ribeiro Fonseca