sábado, 30 de abril de 2016

MAL AMADO


MAL AMADO

Ser poeta é ser mal amado de sonhos rejeitados
Vendaval de palavras, letras condenadas no tormento
Escrever é lançar no mar profundo uma leve pedra
É arrancar sangue com medo da cilada das palavras
Onde as palavras escritas escondem muitas outras
Repletas de abismos no silêncio que habitam em mim
Sombra esquecida da minha alma num pobre corpo
Corpo esse que é a sombra da minha pequena alma
A meditação leve liberta todo mal que habita no corpo
É como se a minha escrita vazia, estivesse em levitação
Do tempo que passa depressa demais, a vida é tão curta
Não quero ser engolida pela voracidade do tempo
Que passa depressa demais, viagem de olhos fechados
Por mares nunca dantes escritos, mordaça na boca
Escuridão de fados sem sonhos, revoltos em saudade
Silêncio de gritos nas páginas em branco famintas onde
Sinto uma inspiração que me causa já tanta, tanta felicidade.

╭✿
Isabel Morais Ribeiro Fonseca