terça-feira, 8 de julho de 2014

" PRANTOS"

" PRANTOS"

As minhas memórias
Estão onde
Choro derradeiras lágrimas.
Desencanto, prantos de dor
Trepadeiras agarradas nas sombras
De um muro feito de pedra
Talvez em fragas duras, antigas
Feitas na transparência dos sentidos
Alojadas no coração, na alma
Sinfonia de um último adeus
Onde dispo as minhas vestes já gastas
De um vestido negro de seda
Arrumo a caixa dos aromas
Cheiros das minhas memórias.
Lembranças suaves
Nos cantos esquecidas
De uma casa velha
Perdida no deserto da minha alma
Paredes brancas pintadas de cal
Desejos e marcas da tua presença.
Feitos de melancolia, de dor salpicada.
Encontro de palavras
Sentimento de abandono
Transparência de sombras
Sabor das lágrimas
Feita em pétalas de rosas
Que brotam dos meus olhos
Dos teus olhos doces como o mel.
Dos meus sonhos, do meu silêncio, no teu silêncio.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca