quarta-feira, 12 de novembro de 2014

NO MEU, NO TEU!


NO MEU, NO TEU!

Agarrado ao mais delgado fino de lã
Do nosso novelo diante de tantos momentos
As borboletas na cavidade
Concavidade da boca absoluta
Destas palavras onde digo palavras perdidas
Ao espelho, que riscam ecos de sons nus
No chão das terras já assombradas
E na vertigem do nosso reflexo
Abraço-me aos sons que palpitam
Puros na paisagem com eco
De cujos caminhos são as nossas rotas
De um lugar onde nunca estive
Mar de um tato de uma promessa
Onde os teus olhos guardam o teu silêncio
No seu gesto mais frágil
Entre as conchas e estrelas da praia
Corremos de mãos dadas na espuma das ondas
Que deslizam na areia para um cobertor
Lavado pelo mar salgado
Afinal a nossa cama é uma aragem
Uma estação, uma passagem
Um sopro, uma alma esvoaçada, um verso,
Uma folha de mim
Casa com a janela deixada aberta
Tantas vezes no teu, ou no meu coração.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca