HABITO
Habito no corredor
Das paredes nuas
Da minha memória
Vómito de vinho
Amargo na boca
Sou nevoeiro
Ou uma neblina
Ponto, sílaba, vaga
Rosa vinha-virgem
Véu negro do alpendre
Livra-me dos perigos
De todos os inimigos
E por todos aqueles
Que esperam à muito
A minha vã morte
Descalça entre as folhas
Voo dessa eminência
No espelho do desejo
Em compaixão eterna
crescente o silêncio
Nesta dor em agonia
Desperto no leito do rio
Desta guerra a minha
Habito no quente fogo
Labaredas da memória
Para me tentar salvar.
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