sábado, 4 de janeiro de 2014

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Michel Quoist «Liberami Signore & Senhor Liberta-me ♫ ♫

Senhor, Liberta-me de Mim

Tu escutas-me , Senhor?
Sofro de modo atroz,
Encarcerado em mim mesmo
Prisioneiro de mim mesmo,
Só ouço a minha voz,
Só ouço a mim próprio,
E por detrás de mim, só o sofrimento existe
Tu escutas-me Senhor?
Liberta-me de  meu corpo: Ele é pura fome, e tudo o que Ele toca com seus grandes olhos incontáveis, com suas mil mãos estendidas, crispadas, é sempre para se apossar e tentar acalmar seu apetite insaciável
Tu escutas-me Senhor?
Liberta-me de meu coração: ei-lo todo enfunado de amor, mas quando penso que amo loucamente, entrevejo, coberto de vergonha, que, através do outro,
é a mim próprio que amo.
Tu escutas-me Senhor?
Liberta-me de meu espírito,: está cheio de si mesmo,
De suas ideias, de seus julgamentos
-- nem sabe dialogar, pois nenhuma outra palavra o atinge,
 senão suas próprias palavras.
Sozinho, aborreço-me, canso-me,'
detesto-me,tenho nojo de mim mesmo.
Há quanto tempo  reviro.me em minha mísera pele
como num leito de doente do qual quisera escapar.
Tudo  parece-me mesquinho e feio, sem luz,
. . . é que nada posso ver que não seja através de mim mesmo.
Sinto-me prestes a odiar as pessoas e o mundo inteiro,
. . . por despeito, já que não as posso acusar.
Queria sair ,
Queria andar, correr para um outro país.
Sei que existe a ALEGRIA: vi-a cantar em alguns rostos.
Sei que rebrilha a LUZ: vi-a iluminar certos olhares.
Mas, Senhor, não consigo libertar-me, gosto de minha prisão,
 ao mesmo tempo que a odeio.
Pois sou a minha prisão.
E amo-me
Amo-me, Senhor, e tenho náuseas de mim.
Nem encontro, Senhor, a porta de mim mesmo.
Arrasto-me às apalpadelas, às cegas,
Esbarro em minas próprias paredes, em meus próprios limites,
Firo-me ;Sinto dor,
Sinto dores demais -- e ninguém sabe,
Porqu;e ninguém jamais entrou dentro de mim.
Estou só. Sozinho.


Senhor, Senhor, tu me escutas?
Senhor, mostra-me a minha porta; toma-me pela mão,
Abre, Aponta-me o Caminho,
A estrada da ALEGRIA, o sendeiro da LUZ.
. . .Mas. . .
Mas, Senhor, tu escutas-me?
Meu menino, eu te escutei:
Causas-me dó. Fazes-me pena.
Há quanto tempo que espreito as tuas persianas cerradas,
abre-as,
Minha Luz há de  iluminar-Te. .
Há quanto tempo fico junto à Tua porta trancada,
abre-a, encontrarás.me à soleira.
Eu espero-te, os outros  esperam-te,
Mas tens de abrir-te,
Tens de sair de ti.
Porquê ficar prisioneiro de ti mesmo?
És livre.
Não fui Eu quem fechou a tua porta,
Não serei Eu quem a possa abrir,
. . . pois és tu que, de dentro,
A mantêns fortemente fechada .!!